quinta-feira, 15 de maio de 2014

Imperfeição Quase Perfeita

Boca com boca
Que se encaixam perfeitamente,
Pele com pele,
Que se tocam lindamente.

Abraços, cheiros e sentidos,
Sentidos à flor da pele,
Movimentos sem previsão,
Se completam instintivamente.

Morde, aperta e puxa,
Sente, derrete sem culpa,
Cheiros, aromas ou essências,
Natural aos prazeres da culpa.

Mapa dobrado que unem dois pontos,
Pontos esses distantes por tortura,
De longe a presença é sentida,
De perto o medo da despedida.

Boca na pele,
Peles se unindo,
Peito bate forte no aperto,
O aperto é do dia surgindo.

A despedida breve e voraz,
Mostra do que o sentimento é capaz,
Tua pele, tua boca, teu cheiro,
Meu corpo ao teu por inteiro.

JoséMabson - 12-05-2014

terça-feira, 6 de maio de 2014

Ação e Reação

Mãos na nuca,
Nuca nas mãos,
Mãos no travesseiro,
Travesseiro no colchão,
Colchão na cama,
Cama no chão,
Olhando pro teto,
Teto de telhas,
Telhas na madeira...
Olhos sem rumos,
Pensamentos longe,
Longe de tudo e perto de tudo,
Rumo ao nada,
Caminho a não seguir,
Regras a não quebrar,
Regras sem leis,
Leis sem ordens,
Caos disponível,
Consciência livre,
Culpa sem dor,
Dor provocada,
Alivio sem chance,
Chances perdidas,
Futuro sem futuro,
Passado perdido,
Presente sofrido,
Mãos na nuca,
É só um assalto,
Não é amor

JoséMabson - 19-01-2012


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Kamila

Teus olhos que variam as cores
Teu olhar que não muda de lugar,
Tua vida sem decisão
Sem saber o rumo que quer tomar

Tuas palavra sem medidas
Se medindo pra não machucar
Teu passado presente a tona
Num futuro que não quer arriscar

Uma vida simples e corrida
Mas sobra tempo pra se nostalgizar
Cadê? Nem viu.
Bola pra frente, o jogo é pra ganhar.

Olhos que variam as cores,
Olha pra mim! Nunca vou mudar,
Teu olhar que ao olhar me dói
Não é aquele que cansei de olhar

A vida nos mostra contradições
Das quais muitas não dar-se atenção
Momentos vivido, porem, não arrependidos

Qualidades que transparece
Defeitos que aparecem
Contraditória por si mesmo
E simples no intendimento

Cadê? Nem viu
Viveu, nem sentiu
Não perca tempo
Não deixe o tempo te ganhar

JoséMabson - VinyUchôa 
17-05-2013 ~ 01-05-2014

terça-feira, 29 de abril de 2014

Meu tio

Um lápis, papel às vezes me negava,
Quando eu rabiscava me elogiava
Eu fingia com os dedos escrever
Só pra tentar lhe comover.

Comigo brigava e criticava
Mas quando eu precisava me ajudava,
Quando lhe chateava um cascudo me dava.

No banho brincadeiras e presepadas
Às vezes minhas pernas mijavas
E eu inocente revidava.

Outras vezes em seus braços subia
E fingia que desmaiava
Minha mãe e minha vó por pouco não enfartava

Tínhamos tudo pra sermos iguais
Mas lá em casa ele era o normal e eu o marginal
Se ei pudesse seroa ele,
Mas se ele fosse eu coitado dele

Somos super idem-diferentes
Não sou e nunca fui inocente
Faço coisas boas e inconsequentes

Ele é o meu irmão, pai e mãe
Todos dizem que é apenas meu tio
Mas eu nem ligo, o amo, meu pai-tio.

Já cometemos erros juntos
Mas ele é o justo e eu o pecador
Pois ele é filho e tem pai
Eu uso o dele emprestado

Se eu ficar calado não sou eu
Se falo o errado também sou eu
Ele bebe e fuma e é normal
Faço o mesmo e ainda sou o marginal.

Ele é meu irmão, pai, mãe...
Mas nem isso posso querer
Lá em casa não posso poder
Sonhar, pensar, muito menos escolher.

JoséMabson 16-04-2005

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O que é ser pai?

Quando ouço “papai!!
Me sinto como sentiu meu pai,
Longe, ausente mesmo,
Quem dera fosse um longe de distancia,
Mas infelizmente é um longe
Moral, um longe emocional
Um longe financeiro, longe que faz mal.

Quando ouço “papai!!
Me desmancho, me quebro,
Me pergunto “Será que sou capaz?
Muitas vezes me escondo
Pra não ouvir “papai!!

Quando ouço “papai!!
Questiono até Deus,
Pergunto se mereço
Me sinto incapaz.

Quando ouço “papai!!
Dane-se o mundo
Dane-se até a mim
Esse “papai!!” que escuto
Me mata, me humilha
Pergunto à Deus
por que me fizeste pai?”

JoseMabson
12-04-2014